Sonhos10 de julho de 2026

O que os sonhos pedem

Há uma pergunta que quase toda a gente faz quando começa a prestar atenção aos sonhos: o que significa isto? É uma pergunta legítima, mas talvez não seja a primeira. Antes de perguntar o que um sonho significa, vale a pena perguntar o que ele pede.

Jung compreendeu os sonhos como uma função natural da psique: o inconsciente a procurar equilíbrio, a compensar aquilo que a nossa vida consciente exagera ou ignora. Quem vive apenas na razão sonha com inundações. Quem nunca se zanga sonha com incêndios. O sonho não vem castigar: vem completar.

Por isso, um dicionário de símbolos ajuda pouco. A mesma serpente que assusta uma pessoa pode curar outra. O símbolo só ganha sentido dentro da vida de quem sonha: das suas memórias, dos seus medos, do momento que atravessa. Interpretar um sonho é sempre um trabalho artesanal, nunca uma consulta de catálogo.

Como começar? Escrever o sonho ao acordar, sem o corrigir. Registar a emoção, mais do que o enredo. Perguntar: que parte de mim fala assim? Onde é que, na minha vida desperta, sinto exatamente isto? Com o tempo, os sonhos revelam padrões, insistências, uma direção.

Trabalhar sonhos num processo terapêutico é dar-lhes um interlocutor. Não para os traduzir de uma vez, mas para os escutar em conjunto, com método e com respeito. Os sonhos pedem pouco: atenção, memória e a coragem de levar a sério o que dizem.

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